Sunday, June 24, 2007

"(...)Este sentido do tempo, no jornalismo, é uma coisa especial.
A antecipação, o chegar antes, parece que forma parte da sua condição vital. É um mundo de pressas e de anelos, no qual a reflexão se faz numa prática...quando se faz, e ainda é melhor fugir dela, pois já se sabe que nós os jornalistas somos responsáveis por narrar os factos independentemente das consequências que isso tenha. Vivemos os nosso dia-a-dia com a convicção de que é algo destinado a morrer com o ocaso e a renascer de novo no dia seguinte. Conhecemos o fútil e perecedouro do nosso trabalho. Os jornais saem todos os dias , escrevem-se todos os dias, nascem e extinguem-se diariamente, são uma espécie de fogueira das vaidades, entre as quais não são melhores as dos próprios jornalistas.
(...)É dificil explicar isto a alguém que não sentiu nalgum momento nas entranhas a intranscendência frequente do nosso esforço no sentido evidente dessa palavra: o de não trancender, não ser capaz de ir mais além, de se perpetuar."

Juan Luis Cebrién

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